Metáfora da criança: o modelo mental mais poderoso para profissionais de Growth

10:46Aproximadamente 9 min de leitura

Você já parou para pensar o que as pessoas mais bem sucedidas têm em comum? Como será que elas alcançam sucesso repetidas vezes em negócios diferentes? Como enxergam os problemas e tomam decisões? Ao conversar com essas pessoas, vi que todas elas têm uma forma muito estruturada de enxergar as situações, de pensar, analisar, resolver…

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Você já parou para pensar o que as pessoas mais bem sucedidas têm em comum? Como será que elas alcançam sucesso repetidas vezes em negócios diferentes? Como enxergam os problemas e tomam decisões?

Ao conversar com essas pessoas, vi que todas elas têm uma forma muito estruturada de enxergar as situações, de pensar, analisar, resolver problemas e tomar decisões. É interessante porque pode ser que esse processo nem seja algo que é feito conscientemente, mas não deixa de ser muito importante.

Na prática, os modelos mentais são a forma como enxergamos o mundo, como pensamos e como interpretamos uma série de situações, que são moldados ao longo de nossas vidas. Uma boa forma de interpretar isso é pensar nos modelos mentais como lentes para ver o mundo, como diz a Tahi. A partir disso, nossas experiências montam o modelo mental. É como enxergamos no piloto automático, e se fizermos de forma consciente, podemos eliminar modelos mentais ruins e adicionar os bons.

 “Para quem só sabe usar martelo, todo problema é um prego.” Abraham Maslow

Vamos pensar em modelos mentais como ferramentas. Quanto mais modelos mentais temos, melhor é a nossa perspectiva e qualidade do nosso pensamento.

Você já deve ter escutado alguém te dizendo coisas do tipo: “nossa, você é engenheiro demais”, “você é artista demais“. Mas é porque geralmente você enxerga as coisas da mesma forma.

Quando enriquecemos essa caixa de ferramentas, tomamos decisões melhores e de forma mais rápida. Nós criamos um bom modelo e toda vez que surge alguma situação, a gente só passa pela ferramenta ideal.

Porém, não basta só entender os modelos mentais. É preciso praticar até absorver e tornar isso algo natural.

Ao conversar com algumas pessoas, notei que a essência dos desafios é muito parecida, que é: ter muita coisa para fazer.

Temos um paradigma um pouco errado que é a lógica de acharmos que quanto mais coisas fizermos, quanto mais tiros para o alto nós dermos, maior a chance de acertarmos alguma coisa.

Por outro lado, quando temos muita coisa para fazer e escolhemos apenas uma, a consciência pesa, porque deixamos de fazer algo. Por isso nós vivemos num completo estado de ansiedade. A grande maioria das pessoas da mentoria está em constante ansiedade por ter muita coisa para fazer e por achar que o tempo inteiro está deixando algo para trás. Esse problema em si gera muita ansiedade. Tomamos decisões ruins, pois estamos sempre com a cabeça cheia. Por isso, geramos pouco resultado e não aproveitamos o máximo que as coisas podem me proporcionar.

Podemos acabar entrando num ciclo vicioso:

  • CEO está ansioso para gerar resultados ->
  • Acaba pressionando e dando muitas ideias. Quem nunca teve um líder que cada dia aparece com uma ideia diferente? ->
  • Você se sente pressionado por ter que entregar resultado. Estão constantemente te sugerindo coisas e dando ideais. Você acaba tentando executar várias coisas ao mesmo tempo para mostrar serviço e acaba tendo essa sensação de que, fazendo isso, pelo menos uma das coisas deve funcionar ->
  • Mas não funciona. Você faz muita coisa e acaba não se dedicando a nenhuma delas. Quando estamos muito atolados, paramos de nos comunicar bem. ->
  • Consequentemente, não entregamos muito resultado, não fazemos bem as coisas, o CEO não vê nada avançando e perde confiança em você ->
  • CEO começa a barrar ideias, resultados não vem, você se sente cada vez mais pressionado e isso vira um ciclo vicioso.

Aí vem aqueles conselhos ruins: “é só ter foco.” Que é o mesmo que pegar alguém que está triste e falar: “fica feliz.” Se fosse fácil eu já estaria feliz.

Na prática, a grande pergunta que queremos resolver e que eu acho que é muito importante para qualquer profissional, principalmente para líderes, é: como escolher as brigas e não ficar ansioso com as coisas que estão sendo deixadas para trás?

É na tentativa de responder essa pergunta que vem o novo modelo mental: a metáfora da criança.

A metáfora da criança

A metáfora da criança funciona da seguinte forma:

Pense que na sua casa há diversas coisas que você gosta: seus documentos, um violão que você aprendeu a tocar há 15 anos, seu videogame que você adora, seu iPod e uma foto com seu avô, que é a única que você tem dele.

A casa começa a pegar fogo. Qual você escolhe salvar?

Não dá tempo de salvar tudo. Você precisa tomar uma decisão, deixar algo para trás e escolher algo que por algum motivo você gosta mais.

O problema é que todas essas coisas são importantes de alguma forma. A grande pergunta é: como você se sente?

Mesmo salvando alguma coisa, você se sente mal. 

Mas e se, no meio desse caos todo, com a casa em chamas, seu filho estivesse lá dentro também?

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Qual você escolhe salvar? Você se sente triste por ter deixado queimar o violão?

Obviamente não.

Nesse caso, quando temos algo tão mais importante que as outras coisas, a gente não tem dúvidas. Não nos sentimos mal e não ficamos triste. Entendemos que o que precisava ser feito foi feito e o resultado foi muito melhor.

Quando entendemos que tem uma criança e que isso é muito, mas muito mais importante do que todas as outras coisas, tomar decisões se torna algo fácil de se fazer, sem peso na consciência e sem dúvidas.

Enquanto só se tem os itens anteriores, você fica indeciso no que salvar. Essas coisas têm pesos parecidos. A minha decisão é pior. Eu demoro mais. O tempo que eu levo para decidir, acaba queimando outras coisas. Quando temos uma criança para salvar, não acontece isso.

Se trouxermos essa metáfora pra vida real, observamos o seguinte: hoje, o que acontece o tempo inteiro na  sua empresa é que você está o tempo inteiro tentando decidir entre o violão, a carteira, a foto do avô, videogame e essas coisas que são legais, mas uma não é essencialmente melhor do que a outra.

O seu maior problema é que você não sabe o que é a criança.

É preciso trabalhar de uma forma que você entenda que: você preciso encontrar qual é a criança, porque se você souber qual é a criança, ou seja, o que é incrivelmente mais importante e mais impactante do que as outras coisas, você não tem peso na consciência, não tem medo e nem ansiedade de deixar as coisas queimarem.

O que acontece? Você começa a colocar muita energia e esforço pra salvar o que realmente importa.

Essa capacidade de manter a paz de espírito quando se está resolvendo um problema enquanto várias coisas estão queimando e realmente não se importa porque você entende que está salvando algo muito importante, é uma característica muito rara. Ela geralmente gera efeitos muito desproporcionais.

Como encontrar a criança?

Análises!

Vamos supor que você me disse: tudo bem. Se minha casa está pegando fogo, eu vou mandar um drone com uma câmera 4k infravermelho que vai rodar em volta da casa, medir a temperatura e mapear tudo. Além disso, vai dizer que a criança está ali no primeiro andar, perto da escada e do sofá. É só entrar e salvá-la.

Isso pode fazer bastante sentido. Porém, vocês não têm o drone. O “drone” geralmente são aqueles projetos de BI machine learning, data science, blockchain etc. que estão na gaveta há 2 anos.

A segunda coisa importante dessa filosofia ou modelo mental, é que seria até bom se tivéssemos o drone, mas geralmente não temos. Assim como não temos um BI bem feito ou um projeto de machine learning. Mas mesmo que a gente tenha, demoraria para tirar as coisas da casa que está em chamas.

Não caia na cilada de achar que se colocar 10 pessoas fazendo esse projeto pra descobrir onde está a criança, em 6 meses eles descobrem. Além do mais, não faria sentido demorar tudo isso, porque até lá a casa já queimou.

Você precisa de uma boa análise. Por que não começar de uma forma simples?

Você mesmo pode entrar na casa, dar alguns passos e descobrir o que consegue ver e ouvir. De repente você ouve a criança chorando, ou algum barulho que indique que ela esteja por perto.

Você não precisa ter certeza de onde está a criança exatamente, só precisa saber em que lado ou área ela está. Só de ter uma noção da direção, dá para chegar mais perto e ter uma ideia melhor.

Conforme você for entrando dentro da casa e coletando mais informações, as coisas ficam melhores.

Porém, mesmo que você faça isso, já aproveita para comprar o drone 4K infravermelho, porque quando a casa queimar novamente e a criança estiver lá dentro, você já vai estar preparado.

Sugestões de análises para encontrar a criança

  • Funil simples: simplesmente ver os principais números, quantos estão entrando ali, quantos passam para cá, quantos passam para lá etc.
  • Melhores e piores clientes: avaliá-los, ver o que essas pessoas têm em comum, o que têm de características demográficas.
  • NPS – detalhamento dos promotores e detratores: quem são os promotores, quem te avaliou 9-10. Veja o perfil delas e suas características, descubra qual funcionalidade elas usaram muito.

Na mentoria, através dessas análises, encontramos pelo menos 80% das crianças

Erros comuns

  • Esperar o drone chegar, mas demora demais.
  • Não identificar que tem uma criança na casa, entrar correndo desesperado salvando um monte de coisa que não tem importância e acabar deixando a criança lá dentro.
  • É preciso se aprofundar mesmo nas análises. Sempre tem uma casa pegando fogo no mundo corporativo.

 O problema não acaba aqui. Infelizmente não basta encontrar a criança, é preciso convencer as pessoas disso.

Convencendo o time

Pense que de fato a casa está pegando fogo, há várias pessoas perto de você e você entra correndo dentro da casa.

Se as pessoas não entendem o que você quer fazer lá dentro, vão pensar que você é louco. Pode ser que as pessoas te atrapalhem e te segurem. Se as pessoas não sabem o que você está fazendo e não entendem o motivo, o problema é você.

As pessoas te puxam, te desencorajam, não acreditam que tem criança. Acham que você insiste em algo errado.

“Gente, é o seguinte. Eu estava ouvindo um choro, dei 2 passos dentro de casa, vi um vulto lá perto da cozinha do tamanho de uma criança. Parece ser uma criança.”

“Tudo bem, mas eu ouvi.”

“Beleza, mas eu também vi um vulto.”

Minha dica é: vocês vão se sentar, juntar todas as informações que coletaram e chegar a alguma conclusão. À medida que vão entrando na casa e explorando, começam a ter uma visão melhor.

Convencer o time é muito importante:

  • É uma etapa muito negligenciada
  • As pessoas precisam concordar que existe uma criança
  • Precisam topar estar erradas juntas
  • Precisam mobilizar esforços para te ajudar a salvar
  • É preciso contar a história e convencer que existe uma criança ali

Se as pessoas não tiverem essa clareza, ninguém vai entender e vão te julgar, pois não conseguem avaliar, achando que você não está indo atrás de algo irrelevante.

Desenhar o plano para salvar a criança

  • Não se distraia com as fotos, violões etc. é muito comum se desmotivar por não estar encontrando a criança e acaba pegando algo de menos importância só pra garantir.
  • Comunique o progresso para seu líder, mesmo se está dando certo ou errado.
  • Pilastras vão cair.
  • Sua previsão inicial não estará sempre perfeita e isso é normal. O importante é ajustar o plano conforme for coletando mais informações.

Só existe uma criança. O resto são distrações.

É um modelo mental. É preciso praticar até que isso realmente faça parte da sua rotina e filosofia.

A filosofia principal é que a forma como você vai conseguir ter paz de espírito, focar e gerar um resultado muito desproporcional, é escolhendo uma coisa e largando as outras, deixando queimar.

Como escolher isso?

Analisando. Encontrando algo que é muito mais importante do que as outras coisas. Ao terminar de resolver esse problema, vá para a casa do lado e resolve outro.

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